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Ensinoartistar - A Arte de Não Abandonar a Si Mesmo

(IMAGEM GERADA POR IA)

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Ensinoartistar - Quando o professor cultiva a si mesmo para poder florescer 
Existe um instante raro, profundo, capaz de virar chaves dentro da gente. Para mim, esse instante veio quando conheci o termo “ensinoartistar”. Ele não foi apenas um conceito do mestrado — foi um espelho. Um espelho que me mostrou o quanto eu vinha dedicando tempo, energia e cuidado aos outros, enquanto pouco sobrava para mim, para minha arte, para minhas próprias inquietações criativas. Perceber isso foi como levar um susto gentil da vida. Um chamado.

A partir daquele momento, tudo começou a mudar. Passei a buscar novos conhecimentos na minha área de formação com uma sede que eu não sentia há muito tempo. Voltei a ilustrar, a escrever, a registrar o mundo com mais vontade — e, principalmente, com mais alma. A criação, que antes eu empurrava para depois, tornou-se motivação, abrigo e impulso. E foi assim que ensinoartistar deixou de ser uma ideia teórica e se transformou em prática de existência.


Ensinoartistar é ensinar sem se desensinar 

Hoje, entendo que ensinoartistar não é apenas viver a arte na escola com os alunos — isso já acontece.
É algo mais profundo: é garantir que o artista dentro do professor não seja engolido pela rotina, pelo cansaço, pelas urgências que nunca acabam.

É recusar o apagamento.
É manter a chama acesa.
É lembrar que criar não é luxo — é necessidade vital.

Uma definição sistematizada de ensinoartistar

Podemos compreender o ensinoartistar como:

Um modo de existir na docência artística em que o professor integra sua prática criativa pessoal ao ato de ensinar, reconhecendo o autocuidado artístico como componente essencial de sua formação e de sua potência pedagógica.

Esse modo de existir se apoia em três pilares:

1. Criação contínua 

Permitir que a arte pessoal continue pulsando.
Voltar a desenhar, escrever, pintar, fotografar, compor — não para publicar, não para mostrar, mas para respirar.
É a criação como fonte de vida.

2. Autocuidado artístico

Preservar tempo, espaço e energia para o próprio fazer artístico.
Entender que criar é também uma forma de descanso, cura, equilíbrio.
É reconhecer que cuidar da própria arte é cuidar de si.

3. Docência enraizada na experiência criadora

Quando o professor continua sendo artista, ele ensina a partir de uma experiência viva.
Sua sensibilidade se afina, sua escuta se amplia, seu olhar se aprofunda.
Ele não oferece só conhecimento — oferece presença, verdade e processo.


Ensinoartistar é flor e raiz 🌿🌺

Ensinoartistar é permitir-se florescer enquanto planta.
É nutrir-se para poder nutrir.
É afirmar que o professor de arte não precisa desaparecer atrás da escola:
Ele tem direito — e dever — de continuar sendo artista.

Porque no fim das contas, ninguém sustenta jardins se abandona a própria primavera.

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